Sobre amor

Escrevi no primeiro dia do ano que eu tinha casado e prometi falar mais sobre o assunto, e compartilhar fotos, em um outro post. Cá estou pra cumprir a promessa.

Quando criei esse blog, exatos sete anos atrás, eu queria compartilhar mais que receitas. Queria colocar pedaços da minha vida aqui pra mostrar que pessoas veganas não são muito diferente das outras e que não é nada esotérico ter um estilo de vida sem crueldade. Quase imediatamente senti a mesma responsabilidade com relação à outra comunidade da qual faço parte, a comunidade LGBTQ. Falar abertamente da minha orientação sexual aqui no blog é extremamente importante pra mim, pois nós, LGBTQs, precisamos de visibilidade. Se sentir representada na literatura, cinema, mídia, internet, política e todos os aspectos da vida civil importa e muito. Então gosto de pensar que o blog me dá a oportunidade, além de desmistificar a culinária vegetal, de fazer minha contribuição nesse sentido.

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Ainda dá tempo

Janeiro ainda não acabou e eu já dormi em dez camas diferentes esse mês. Dez! Mas é com muita felicidade que digo que essa décima cama será minha por três meses inteirinhos. Sei que parece pouco, mas quando você anda arrastando sua mala há mais de dois anos, três meses são suficientes pra te deixar feliz e sentindo que tem uma casa.

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1 de janeiro

Quem aí também está pensando “2016, seu infeliz das costas oca, já foi tarde!”? Ou alguma variação da frase com um insulto usado em seu dialeto. O ano foi difícil pra maior parte dos habitantes desse planeta, mas aqui do meu lado ele acabou de uma maneira linda.

Vim passar o natal com a família francesa e pela primeira vez em oito anos Anne e eu não fomos as únicas a ter uma ceia vegana. A irmã caçula de Anne se tornou vegetariana esse ano, depois de anos flertando com a ideia e se alimentando de maneira cada vez mais vegetal. Já no almoço do 25 de dezembro foram quatro pratos veganos! A outra irmã de Anne já não come mais animais terrestres e pediu pra se juntar à nos. Eu vejo pessoas irem cada vez mais na direção de uma alimentação mais vegetal em todos os lugares por onde passo.

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Em São Paulo

Passando rapidinho pra dividir uma coisas com vocês.  Cheguei em São Paulo alguns dias atrás e já fiz tanta coisa e encontrei tanta gente bacana que parece que estou aqui há semanas. Ontem teve a palestra sobre ativismo interseccional (direitos animais e humanos) no Encontro Vegano. Hoje visitei um assentamento do MST onde os agricultores praticam a agroecologia e visitei a Escola Nacional do MST, a Florestan Fernandes. Pretendo falar mais sobre isso tudo em breve, mas hoje só queria informar que vou fazer duas oficinas de culinária na cidade. Uma na quarta (23) no espaço Mun e a outra no domingo (27) no restaurante Broto de Primavera. A primeira será de inspiração europeia e será seguida de um jantar. A segunda trará receitas palestinas e será seguida de um almoço. Os dois eventos serão acompanhados de uma palestra/bate-papo. Todas as informações sobre as oficinas (horário, menu, preço e telefone pra reserva) estão aqui.  As vagas são limitadas, então pessoas interessadas devem telefonar pra reservar seu lugar o mais rapidamente possível.

E amanhã às 19h30 Anne vai participar desse evento de solidariedade ao povo palestino no restaurante (palestino!) Al Janiah. Vai ter uma roda de conversa e a exibição do documentário que ela fez sobre as famílias que perderam três membros ou mais no último bombardeio israelense em Gaza. O evento é gratuito e estão todas convidadas. Estarei lá traduzindo e comendo falafel  (melhor falafel do pedaço!!!). Mais informações sobre o evento (e endereço) na página FB do restaurante.

Praia vegana: guia de sobrevivência

Algumas semanas atrás passei uma semana na minha praia preferida do litoral potiguar. Anne e eu temos uma tradição. Sempre que ela vem ao Brasil nós visitamos a mesma praia, Baía Formosa, que descobrimos na primeira vez que ela veio aqui. É um lugar tranquilo que se mantém protegido do turismo de massa, o extremo oposto da vizinha, a internacionalmente famosa praia de Pipa. Nós não gostamos de lugares cheios de gente e com forte apelo comercial e Baía Formosa é um vilarejo de pescadores, cercado pela Mata Estrela (reserva de mata Atlântica), um lugar lindo e mais interessado em eco-turismo do que em balada.

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21 de agosto

Tem um gato dormindo colado a mim, dois cachorros aos meus pés e uma mama, a minha, fazendo palavras cruzadas do meu lado. As duas humanas estão esperando a fornada que pão de queijo vegano que está no forno ficar pronta pra devorar tudo com café. E enquanto minha mãe me pede pela terceira vez hoje pra verificar se a espinhela dela caiu (só quem é do interior do Nordeste conhece essa doença misteriosa e o método extremamente científico pra diagnostica-la. E a cura, claro) penso: “Que delícia estar em casa.”

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Berlim

Algumas semanas atrás eu fui visitar Anne em Berlim, onde ela está morando atualmente. Eu estive na cidade alguns anos atrás, também durante o verão, e adorei. Até escrevi um Guia Vegano da cidade. As opções veganas aumentaram ainda mais desde a primeira vez que estive lá e o guia merece uma segunda parte. Berlim é sem dúvida a capital vegana da Europa. É incrível ver como veganismo é algo comum e bem aceito por lá. Comi em vários restaurantes veganos, mas também em restaurantes tradicionais, pois é comum ter opções veganas em praticamente todos os lugares. Você pode sair pra comer com suas amigas onívoras e ter a certeza que vão encontrar facilmente um lugar que vai deixar a barriga de todo mundo satisfeita.

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Carta pro meu irmão

Da última vez que estive em casa você começou a se aborrecer sempre que eu falava em feminismo. Convencido de que no Brasil as mulheres têm exatamente os mesmos direitos e oportunidades que os homens, você me explicou que ser mulher não me impedia de fazer nada e não implicava nenhuma dificuldade extra no que eu quisesse ser na vida. “Pare de levar tudo pro lado do feminismo!” você dizia, extremamente irritado.

Quando a ONU publicou o último relatório sobre os dados atuais de violência contra a mulher no mundo contei pra você o que tinha passado o dia repetindo pros outros: uma em cada três mulheres foi vítima de agressão física ou sexual da parte de um homem. Você me olhou sério e disse : “Não é verdade. Eu não conheço nenhuma mulher que tenha sofrido violência de um homem. Você não conhece nenhuma. Você mesma nunca foi vítima desse tipo de violência.”

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Em Londres e algumas historietas

Deixei Beirute duas semanas atrás, passei uns dias em Paris e já estou confortavelmente instalada no meu novo lar (provisório, como é o costume) em Londres. Fico aqui até o início de julho, trabalhando no mesmo lugar onde trabalhei ano passado. Vim aqui só dar sinal de vida e tirar a teia de aranha do meu bloguito. Mas já que cheguei, vou aproveitar pra contar umas coisinhas miúdas que aconteceram nos últimos dias, pra distrair vocês do fato que hoje não tem receita.

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Tour Papacapim na Palestina – 2017

Eu disse que não teria outro, porém seguindo o ditado francês que diz que “só os idiotas não mudam de ideia” vim aqui anunciar oficialmente que vai ter mais um tour político-ativista-gastronômico-vegano na Palestina ano que vem. Na verdade dois. O primeiro acontecerá em fevereiro e o segundo em março. Dessa vez estou avisando com bastante antecedência porque muitas pessoas queriam participar dos tours em 2014 e 2015, mas não viram o anúncio a tempo e não conseguiram se juntar ao grupo. Dessa vez vocês têm um ano pra organizar a viagem (pedir férias, procurar as passagens mais baratas etc.).

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7 coisas muito boas que descobri na França

Cheguei na Palestina alguns dias atrás e embora eu já esteja totalmente mergulhada na loucura local (quem me acompanha no Instagram e, principalmente, no FB sabe do que estou falando), queria dividir com vocês as delícias que degustei na França durante minha última viagem ao país. Algumas eu já conhecia e adorava, outras eram novidades pra mim.

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De mudança e o comentário mais engraçado

No início da semana passada deixei Londres. Eu tinha ido pra lá com a intenção de ficar somente seis meses, então já cheguei com a data da partida programada. A experiência foi maravilhosa. Aprendi muito, melhorei minhas habilidades culinárias, conheci gente incrível e descobri lugares veganos deliciosos. E ainda tive o privilégio de ser temporariamente adotada e de dividir a cama com Danny, que aqueceu meus pés cansados nas noites frias inglesas.

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“Comer carne tem um preço: alguém vai pagar com a vida pelo prazer que eu vou sentir” – entrevista com Sahar Vardi

Ela apareceu aqui no blog muitas luas atrás, em um dos meus posts preferidos de todos os tempos, que eu acho que todos deveriam ler. Mas Sahar é uma das pessoas mais interessantes que eu tive a sorte de conhecer e eu poderia entrevistá-la todo mês e ela sempre teria coisas inspiradoras e corajosas pra contar. E como ela é vegana há anos, ela tinha que aparecer na série “Porque me tornei vegano/a”.

 

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Cinco anos depois

Esse blog nasceu na Palestina, cinco anos atrás, no inverno. Fazia meses que eu dizia querer começar um blog, sem nunca colocar a ideia em prática. Anne insistia que a ideia era boa, que minhas receitas eram boas, que a minha escrita era boa… Mas no fundo uma voz me dizia: ‘Quem vai querer ler o que você tem pra dizer?’, então eu tratava de me ocupar com outras coisas e desistia do blog. Até que nesse famoso inverno Anne foi pra Gaza e eu fiquei em Belém. Uma noite eu perdi o sono e, sozinha na sala da minha linda casa de pedra, a dois passos da igreja da Natividade (onde Jesus nasceu), criei o Papacapim.

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Tour político/ativista/gastronômico (vegano) na Palestina 2015

Lembram do tour Papacapim na Palestina que aconteceu em novembro? Se você é novo no blog, aqui vai um resumo breve. Ano passado decidi colocar em prática uma ideia antiga: guiar um grupo de brasileiros na Palestina, pra compartilhar um pouco da vivência incrível que tive naquela terra durante os cinco anos em que chamei a Terra Santa de lar. Foram duas semanas intensas, recheadas de momentos especiais e encontros inesquecíveis. Esses posts mostram um pouco do que vivemos por lá, com  relatos dos participantes  e muitas fotos:

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Onde estou agora

Mais uma vez eu tive que ir na página ‘Sobre‘ e modificar o lugar de onde esse blog está sendo escrito. Cheguei em Londres dez dias atrás e estou me acostumando com essa cidade que adoro e que até então só tinha me acolhido como turista. Levo um tempo enorme pra pagar as compras, pois me atrapalho com as danadas dessas moedas (as formas variam e parece que o tamanho é inversamente proporcional ao valor, o que pra mim não faz muito sentido). Me sinto um pouco desorientada andando pelas ruas e por causa da mão inglesa nunca tenho certeza de que lado virão os carros. Tenho que ler o que está escrito no asfalto (‘look left’ ou ‘look right’) sempre que vou atravessar a rua.

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Retiro gastronômico na Serra Negra

Passei o último fim de semana na cozinha, ajudada por muitos pares de mãos e cercada por sorrisos. O retiro gastronômico na Serra Negra-PE, organizado pelo pessoal da SVB Recife, foi uma delícia em todos os sentidos. Um grupo de pessoas maravilhosas, reunidas em um lugar lindo pra degustar alguns dos meus pratos preferidos! Foram dois dias nos esbaldando com quitutes veganos e nos sentido vingados por todas as vezes que viajamos e não encontramos nada (NADA!) 100% vegetal pra colocar no prato. A experiência foi tão gostosa que fiquei até com vontade de abrir uma pousada vegana na serra, com direito a restaurante gourmet, e fazer muitos veganos felizes (começando por mim mesma). Aqui vão algumas fotos pra dividir com vocês um pouquinho da gostosura que foi o retiro. (Preparem-se pra salivar: rolou até fondue de queijo vegano.)

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Os melhores posts de 2014

Tempos atrás criei uma tradição aqui no blog: encerrar o ano escolhendo os melhores posts do ano. Mas 2014 não foi um ano como os outros. Ele foi regido pela instabilidade (geográfica, legal, emocional e financeira) e pela primeira vez desde que criei o Papacapim, no início de 2010, abandonei o blog por várias semanas consecutivas, várias vezes. As dificuldades pessoais foram tamanhas que não pude manter o ritmo regular de postagens que sempre tive, tirando uma ou outra exceção, e teve períodos onde as teias de aranha reinaram por aqui. Ao ponto de ter chegado a receber um email de uma leitora perguntando se o blog tinha acabado.

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