O açafrão de Annie

Um ciao diretamente da Toscana, onde estou descansando por alguns dias antes de ir pra a Palestina e começar uma nova aventura. Ando comendo maravilhas por aqui, mas antes de escrever um post sobre essa viagem gostaria de dividir algo com vocês.

Semana passada eu estive mais uma vez no interior da França e tive a sorte de participar da colheita de açafrão da madrinha de Anne. Faz anos que tento ver a colheita, mas minhas visitas eram sempre fora de época. Por uma feliz coincidência, dessa vez cheguei a tempo pra colher as últimas flores da temporada. Eu nunca tinha visto uma flor de açafrão e fiquei saltitante de alegria por ter a oportunidade de ver uma de perto e descobrir tudo sobre essa especiaria.

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Na estrada

No início da semana deixei Bruxelas. Os dias que antecederam a partida foram preenchidos com despedidas: pessoas, lugares, os pertences que se acumularam durante o último ano… No ônibus que me levou embora fiz o balanço dos 13 meses que fiquei na cidade. Foram muitas oficinas de culinária veganas e palestinas (também 100% vegetais) e pela primeira vez na vida trabalhei como chef particular (pra uma família de onívoros!). E no emaranhado de pessoas incríveis e projetos interessantes que cruzaram o meu caminho esse ano teve:

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Pesto de urtiga

Semana passada eu estava no interior da França, descansando e visitando a família francesa. Cozinhei coisas simples, porque nessa época do ano os vegetais são tão suculentos que eles não precisam de preparações nem temperos elaborados. E também porque estou aprendendo (finalmente!) que durante as férias é melhor passar menos tempo na cozinha e mais tempo com as pessoas que importam. Então fui visitar entes queridos e seus jardins luxuriantes. E numa dessas visitas me deparei com um imenso canteiro de urtigas. Fazia muito tempo que eu queria cozinhar urtigas (até então eu só tinha bebido o chá feito com a planta desidratada), então não hesitei um segundo: pedi luvas de jardinagem e um cesto à dona do jardim e comecei imediatamente a colheita. E porque gosto de viver perigosamente, eu estava calçada com minhas fieis Havaianas (escapei ilesa, mas não tentem fazer isso em casa).

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“O veganismo talvez seja a alimentação do futuro”- Entrevista com Samira Menezes

Estou atualmente no interior da França, passando alguns dias de férias com a família francesa. Quem me procurar essa semana vai me encontrar entre a cozinha e o imenso e delicioso jardim do meu sogro. Mas vou deixar vocês em boa companhia: tenho mais uma entrevista da série ‘Porque me tornei vegano’ pra dividir com vocês. Samira Menezes faz parte do meu grupo de ‘amigos virtuais’ e é uma flor. Ela é paulistana mas mora em Milão e ando torcendo pros nossos caminhos se cruzarem aqui no velho mundo. Samira é jornalista e tem um blog, o Miscelânea Milanesa, onde ela divide suas descobertas “culinárias, animalistas e mundanas”. Fiquei super feliz quando ela aceitou ser entrevistada aqui no blog, pois ela tem coisas interessantíssimas pra dividir conosco.

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Manter a serenidade diante de tanta crueldade e indiferença é um desafio, mas é necessário – Entrevista com Lobo Pasolini

Alguns meses depois de ter criado o Papacapim um blogueiro brasileiro deixou um comentário aqui dizendo que tinha achado o meu blog muito bom e que tinha linkado do dele. Fui conferir o blog dele e a mesma coisa aconteceu: gostei do blog dele e linkei do meu. O blog, de direitos animais, se chama ‘Lobo Repórter’ (adoro esse nome) e o blogueiro em questão é Lobo Pasolini. Isso foi em 2010 e desde então acompanho o trabalho dele e vez ou outra trocamos mensagens. Apesar de nunca tê-lo encontrado pessoalmente, gosto de pensar que ele é um amigo virtual. Criei até uma receita especialmente pro aniversário dele em 2012. Nós temos várias coisas em comum (como ser ‘homus-sexuais’, por exemplo:) e fiquei muito feliz quando ele aceitou fazer parte da série ‘Porque me tornei vegano”. É uma honra imensa pra mim receber Lobo Pasolini aqui.

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As duas últimas semanas

Semana passada eu estava em Amsterdã, comendo toda a comida vegana que consegui colocar no estômago. Semana retrasada eu trabalhei sem parar e cozinhei em vários lugares diferentes. Fiz um churrasco 100% vegano (o meu primeiro!) e preparei um jantar em um caminhão-cozinha. E alimentei muitas, muitas bocas. Na verdade eu nunca tinha alimentado tantas bocas de uma vez só. Aqui vão algumas fotos das duas últimas semanas.

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O silêncio por aqui

Sou dessas pessoas que adoram dividir os momentos felizes, mas que preferem sofrer quietinhas num canto, sem testemunhas por perto. Sempre pensei que a razão desse meu comportamento era poupar os outros de preocupações desnecessárias, mas depois de muito meditar sobre a questão percebi que tem uma parte de orgulho também. Prefiro segurar as pontas sozinha porque se o frio dado é sempre proporcional à espessura do cobertor, eu não tenho razão pra reclamar. Continuo sem vocação pra reclamar, mas decidi parar de fingir que esse negócio de sofrer não é pra mim.

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“O que você viu uma vez não pode voltar a ser invisível” – Depoimento da ativista israelense Haidi Motola

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No início do mês Anne foi convidada pra participar de uma conferência em Marseille (sul da França), no dia internacional da mulher. O evento foi organizado pelas ‘Femmes en Noir’ de Marseille, um grupo criado em solidariedade com o movimento ‘Women in Black‘, formado por mulheres israelenses que lutam há 26 anos contra a ocupação israelense nos territórios palestinos. Se você nunca ouviu falar desse movimento, vale a pena visitar o website. E não deixem de ver também a foto-reportagem feita por Activestills (o coletivo de fotógrafos do qual Anne faz parte).

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A arte de reciclar restos

repolho, cenoura, cebola

Já abriu a geladeira e encontrou vários restos de comida, mas nenhum em quantidade suficiente pra se transformar em uma refeição? Se isso nunca aconteceu na sua cozinha, provavelmente você é do tipo que joga restos de almoço e jantar fora (ou do tipo que nunca cozinha em casa). Pare com isso imediatamente! Aquilo que sobrou na panela não é o resto da sua última refeição, é o começo da próxima.

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Me apaixonar não estava nos meus planos

Mês passado fez seis anos que cheguei na Palestina de mala e cuia, decidida a morar na terra santa. Ainda lembro perfeitamente desse dia. Na verdade lembro perfeitamente, com minúcia de detalhes, dos dias que antecederam minha chegada também. E Jerusalém está no coração desses eventos. Já contei pra vocês como fui parar na Palestina? Então procurem um assento confortável e uma caneca de chá que lá vem história.

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Como se sentir saciada com uma alimentação 100% vegetal

Você se tornou veg(etari)ana e desde que fez a transição de regime passou a ter fome o tempo todo?  Você gostaria de comer mais refeições veganas/vegetarianas, mas tem a impressão que só proteína animal consegue saciar a sua fome? Quando você come um prato vegetariano/vegano seu estômago começa a roncar pouco tempo depois? Escutei essas reclamações inúmeras vezes, então resolvi (enfim! enfim!) escrever sobre o assunto. Leitoras famintas, seus problemas estão prestes a acabar.

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Alimentação saudável pra crianças: as dicas de Bárbara

A última entrevista da série de alimentação saudável pra crianças é com a minha amiga Bárbara, que assim como Ingrid, a primeira mãe que compartilhou dicas aqui com a gente, entrou na minha vida através do blog. Bárbara Bastos é professora universitária e doutoranda e mora em Recife com o marido e o filho de 4 anos. Fiquei hospedada duas vezes na casa deles (na segunda vez levei minha irmã, que durante uma tarde se transformou na melhor amiga do pequeno Mateus) e pude ver pela primeira vez uma família vegana de perto. Juro que me senti como se tivesse vendo unicórnios!

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Como ter uma alimentação vegana e orgânica sem gastar muito

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Muitas luas atrás escrevi um post explicando porque NÃO é mais caro ser vegetariano/vegano. No texto chamei a atenção pro fato das pessoas que acusam o vegetarianismo de ser uma opção mais cara confundirem comida vegetariana com comida orgânica e compararem coisas que não são comparáveis. Explico. Não faz sentido comparar o custo da alimentação de um onívoro que compra verduras não-orgânicas e escolhe sempre as marcas mais baratas no supermercado com o custo da alimentação de um vegano que compra verduras orgânicas e marcas especiais em lojas de produtos naturais. Na época em que eu fazia pesquisas na faculdade aprendi que pra comparar duas coisas temos que ter apenas uma variante. Na comparação que descrevi acima, que é o que  a maioria das pessoa faz, tem duas variantes:

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Alimentação saudável pra crianças: as dicas de Suzy

Mês passado  comecei uma mini-série de posts sobre alimentação saudável pra crianças. Muitas leitoras me escrevem pedindo dicas pra melhorar a alimentação dos filhos e fazer as crianças comerem mais verduras, mas como eu não tenho filhos nem costumo cozinhar pros pequenos, resolvi pedir dicas a quem realmente entende do assunto: minhas amigas que são mães.

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Umas fotos pra dar sinal de vida

Está um silêncio por aqui… Mas eu posso explicar. Estou preparando uma surpresa pra vocês e por isso estou sem tempo pra postar receitas e histórias nesse blog abandonado. Então pensei em passar por aqui só pra dar sinal de vida e vou aproveitar o ensejo pra dividir algumas imagens do que aconteceu por trás das cenas nos últimos meses. Hoje não tem receita, mas tem fotos. E cada foto tem uma historinha.

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Os melhores posts de 2013

Espero que todos tenham passado um ótimo fim de ano, cheio de alegria, comida gostosa e ao lado das pessoas que vocês amam. Eu trabalhei na véspera de natal até a noite (preparei uma ceia vegana pra uma família onívora!) e quando cheguei em casa, depois de ter passado o dia todo cozinhando, tinha perdido o apetite. Então comi pão torrado com faux gras (o patê vegano que é uma deliciosa alternativa ao cruel fois gras) e conversei com a minha família no skype. Eu não comemoro natal e só participo de jantares especiais nessa época do ano quando estou visitando a família de Anne no interior da França, então adorei ter passado uma noite tranquila em casa.

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Adquira uma base sólida de conhecimentos em nutrição

Antes de 2013 ir embora, aqui está a décima segunda, e última, dica do Guia Papacapim de Alimentação Saudável:

 Adquira uma base sólida de conhecimentos em nutrição

Fico muito triste quando vejo a que ponto a maioria das pessoas se sente perdida quando o assunto é nutrição. Pessoas se alimentando mal, fazendo escolhas alimentares pobres, adotando todos os regimes malucos que aparecem nas revistas, acreditando piamente que iogurte açucarado e aromatizado é essencial pras crianças crescerem saudáveis, correndo pra comprar o super alimento que passou na tv achando que ele é a cura pra todos os seus problemas… Tudo isso poderia ser evitado se a gente tivesse alguns conhecimentos de base em matéria de nutrição. Os mitos sobre alimentação, que prejudicam a saúde de muita gente e cria preconceitos contra o veganismo (“Só a carne tem todas as proteínas que o corpo precisa”,  “Só tem cálcio no leite”, “Só tem ferro na carne” etc.), se partiriam em mil pedacinhos se as pessoas fossem mais bem informadas.

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“O veganismo foi uma maneira de alinhar minhas convicções com os meus atos”

anne

Quando conheci Anne ela era onívora. Quando começamos a namorar eu propus um trato: eu não cozinharia nada não-vegano e não queria que ela preparasse carne em casa, mas ela poderia ter laticínios e ovos na geladeira e sempre que quisesse comer carne iríamos a um restaurante. Como ela não consumia laticínios e raramente comia ovos, Anne propôs ir ainda mais longe: ela decidiu que a alimentação em casa seria sempre vegana e só comeria carne em restaurantes e nas casas dos amigos. E nunca mais falamos no assunto. Menos de quatro meses depois ela decidiu (por livre e espontânea vontade) se tornar vegana. Esse mês faz cinco anos que ela abraçou o veganismo, então achei que seria o momento ideal pra convidá-la pra participar da série ‘Porque me tornei vegano’.

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