“O veganismo foi uma maneira de alinhar minhas convicções com os meus atos”

anne

Quando conheci Anne ela era onívora. Quando começamos a namorar eu propus um trato: eu não cozinharia nada não-vegano e não queria que ela preparasse carne em casa, mas ela poderia ter laticínios e ovos na geladeira e sempre que quisesse comer carne iríamos a um restaurante. Como ela não consumia laticínios e raramente comia ovos, Anne propôs ir ainda mais longe: ela decidiu que a alimentação em casa seria sempre vegana e só comeria carne em restaurantes e nas casas dos amigos. E nunca mais falamos no assunto. Menos de quatro meses depois ela decidiu (por livre e espontânea vontade) se tornar vegana. Esse mês faz cinco anos que ela abraçou o veganismo, então achei que seria o momento ideal pra convidá-la pra participar da série ‘Porque me tornei vegano’.

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Alimentação saudável pra crianças: as dicas de Ingrid

Vez ou outra uma mãe me escreve pedindo dicas de como fazer os filhos comerem melhor e/ou aceitarem mais vegetais na alimentação. Como não tenho filhos e tive poucas oportunidades de cozinhar pra crianças, fico sem saber o que responder. Claro que tenho algumas ideias, que podem se resumir em duas frases. 1- Crianças aprendem imitando os pais e se você quiser que seus filhos comam bem, vai ter que dar o exemplo. 2- Não deixe entrar na sua casa o que você não quer que entre no estômago dos seus filhos. Mas não posso pregar algo que eu mesma não pratico e fico imaginando que as mães responderiam: “É fácil pra você falar isso, mas queria ver se tivesse um filho torcendo o nariz pras suas sopas e pedindo biscoito recheado”.  Verdade. Mas como gostaria de ajudar as mães que me escrevem regularmente, decidi perguntar pra quem realmente entende do assunto: outras mães. Então pedi pra amigas que têm filhos e que estão criando os meninos de uma maneira extremamente saudável (pouco ou nenhum açúcar refinado, pouco ou nenhum produto industrializado, muitas frutas e verduras…) responderem algumas perguntas. Espero que a experiência delas inspire e ajude as mães e os pais que acompanham o blog.

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Um presente pra mim (e uma proposta pra vocês)

Update 06/12: Anunciei as ganhadoras do ‘programa’ nos comentários.

Alguns dias atrás publiquei esse post explicando, entre várias outras coisas, que gostaria de ajudar todas as pessoas que me escrevem pedindo dicas e soluções pros problemas ligados à alimentação vegetal (dificuldade em fazer a transição, ganho de peso depois de ter adotado a dieta vegetariana ou vegana etc.), mas que infelizmente isso não é possível. Apesar do blog representar uma grande parte do meu trabalho (voluntário) eu preciso fazer várias outras atividades (remuneradas) pra poder pagar o aluguel e colocar comida na geladeira. Sonho em ser voluntária em tempo integral, bla, bla, bla, mas preciso pagar as contas como todo mundo, bla, bla, bla, não posso passar meus dias dando conselhos de graça na internet, bla, bla, bla. Vocês conhecem a história.

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Exclua bebidas doces da sua rotina

A última dica do mês de novembro e penúltima dica do Guia Papacapim de alimentação saudável é:

 Exclua bebidas doces da sua rotina

Mais uma vez, vou discutir um assunto que vai gerar polêmica por aqui. Ainda não encontrei ninguém que acreditasse que refrigerantes, comuns ou diets, são bons pra saúde. Mas estou me referindo aqui a todo tipo de bebidas doces industrializadas (energéticos, isotônicos, chás gelados) e sucos de frutas, industrializados ou naturais (é aqui que começa a polêmica). Eu já escrevi sobre isso aqui, mas pra mim esse assunto é tão importante que vale a pena insistir. Bebidas doces não passam de concentrados de açúcar em forma líquida, sem falar que a maioria delas contem ingredientes artificiais que não deveriam fazer parte da sua dieta.

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As perguntas que mais me fazem

Passei o fim de semana respondendo perguntas feitas pela simpática Samira Menezes, que publicou a entrevista no blog dela ontem, e fiquei pensando nas perguntas que leitores e pessoas que encontro pela vida me fazem com mais frequência. Então pensei em responder algumas delas aqui. Instalem-se confortavelmente no sofá (aceitam um café?) e vamos conversar um pouco.

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“Hoje eu acho fácil ser vegano, o difícil mesmo é amar, respeitar e aceitar a minha própria espécie”

Em julho minha amiga Johanna contou as razões que a levaram a se tornar vegana e como a mudança aconteceu na sua vida e eu não imaginava que quatro meses passariam antes que outro post da série ‘Porque me tornei vegano’ aparecesse por aqui. Mas aqui estou com mais uma entrevista que vai inspirar e fazer refletir.

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Sobre casa, os amigos dos meus amigos e minha excentricidade

Desde que voltei pro velho mundo, algumas semanas atrás, não parei de conhecer pessoas bacanas. Eu já tinha alguns amigos maravilhosos aqui e eles estão sempre querendo me apresentar os amigos maravilhosos deles. Assim, entre health coaches, refugiados políticos, requerentes de asilo, aspirantes a naturopatas, gente que fez do ativismo sua carreira e militantes de todos os campos, minha tribo bruxelense vai se formando. Mas apesar de gostar de conhecer pessoas,  e os amigos dos meus amigos são muito interessantes, esses encontros sempre me deixam um pouco nervosa, porque sei exatamente como será a nossa primeira conversa. Começa assim:

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Diminua o número de cosméticos que você usa

Quem acompanha o Guia Papacapim de Alimentação Saudável deve ter percebido que novembro chegou e as dicas de setembro e outubro ainda não apareceram por aqui. Eu não abandonei esse projeto, muito pelo contrário, mas vários contratempos atravessaram o meu caminho. Então esse mês terá não uma, mas três dicas, pra compensar o silêncio dos últimos dois meses. Comecemos com dica número 9, que é:

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48 horas em Paris

Nesse último fim de semana eu estive em Paris pra participar do ‘Paris Vegan Day’, o maior evento vegano da França. Só dura um dia e reúne expositores de comida, cosméticos, marcas de roupas, sapatos e bolsas, tudo 100% vegano, além de várias associações vegs e de proteção aos animais. E não é tudo! Teve também palestras e aulas de culinária vegetal e como se isso não fosse suficiente pra deixar qualquer vegano com a impressão de ter morrido e ido direto pro paraíso, o local de evento, os Docks, nas margens do rio Sena, era lindo e tinha um restaurante vegano (MOB, especializado em hamburguers e outros sanduíches veganos) no térreo. O que mais pedir? Como não pude participar do VegFest em Curitiba, essa foi a minha consolação.

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Quando o verão ainda estava aqui

Passei as últimas semanas procurando um teto (ainda estou sem endereço), por isso não ando fazendo nada muito excitante na cozinha. Criei uma sopa ótima, mas tenho a impressão que o clube dos apreciadores de sopa é pequeno e ninguém vai reclamar se ela não aparecer por aqui. Mas quando o verão ainda estava aqui pela Europa e eu ainda estava de férias, preparei alguns pratos deliciosos. 90% do mérito vai pros vegetais suculentos que cruzaram o meu caminho. Quando o produto é realmente excepcional, não precisa fazer muita coisa pra transformá-lo em uma refeição memorável. Por exemplo, uma salada de tomate com tomates orgânicos que amadureceram no pé e chegaram na sua mesa carregados de sol e suco é uma das coisas mais deliciosas que existe. Corto (o termo certo aqui é ‘rasgo’) os tomates maduros diretamente sobre o prato em que for servir, pra recolher todo o suco que escorre pelos meus dedos, depois tempero com um bom azeite, vinagre balsâmico, manjericão fresco, sal marinho em flocos e pimenta do reino moída na hora. Servida com um bom pão, de preferência feito com fermento natural, essa salada é um poema. Então aqui vão algumas fotos das delícias simples, outras mais complexas, que apareceram na minha mesa durante o verão, mais algumas descobertas gastronômicas.

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Sonho de uma tarde de (quase) outono

Vou contar uma história pra vocês (a história será contada mais com fotos do que com palavras). Outro dia fui colher cogumelos no interior da França com Anne, Guy (um tio dela) e Annie (esposa do tio e madrinha dela). Sempre sonhei em procurar cogumelos na floresta. Pra quem nasceu no litoral do Nordeste brasileiro, essa é uma daquelas coisas que só vi em filmes. Estou passando uns dias na França, em uma região cercada de florestas, e como o outono está se aproximando pensei que não podia perder essa oportunidade de realizar um sonho tão antigo.

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Degustando

Acabo de chegar à França, meu lar temporário durante o próximo mês. Houve um tempo em que eu me sentia em casa nesse país. Mais ainda nessa nessa época do ano, quando eu voltava das férias no Brasil e me preparava pra começar mais um ano letivo em Paris, enquanto curtia os últimos dias do verão. Senti uma espécie de déjà vu ao pisar aqui, mas embora os aromas, as cores e os sabores ainda me sejam familiares, me sinto uma estranha nesse lugar. Mas o lado bom de me sentir como uma turista é que aproveito melhor as delícias que a França tem pra oferecer.

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Coma uma salada crua por dia

Eu sou uma grande fã da alimentação crudívora. Ter descoberto esse tipo de culinária estimulou minha criatividade gastronômica e revolucionou a maneira como preparo sobremesas. Sem querer entrar na questão da suposta superioridade nutritiva desse tipo de culinária versus culinária onde os alimentos são cozinhados, incluir vegetais crus na nossa alimentação diária traz inúmeros benefícios pra saúde. E uma das maneiras mais simples de incluir vegetais crus na nossa alimentação é através de saladas. O que nos leva à dica desse mês do Guia Papacapim de Alimentação Saudável:

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Lá em Recife…

No início do mês estive em Recife pra participar do Cultura Veg, organizado pela Sociedade Vegetariana Brasileira de Recife, e dar uma oficina de culinária. Os dois eventos foram ótimos e tive a oportunidade de conhecer pessoalmente alguns leitores do Papacapim e amigos virtuais. Como o único contato que tenho com meus leitores é através do blog, é sempre um prazer imenso poder conversar frente à frente com as pessoas e descobrir o que elas acham do Papacapim. Aqui estão algumas fotos da palestra, e do delicioso lanche vegano que foi servido depois, e da oficina, realizada na escola gastronômica La Luna. Fotos de Régia Sofia de Azevedo e Camila Apolonio (as duas últimas).

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“Me tornar vegana foi uma maneira de me tornar politizada”

Uma das razões que me levaram a escrever esse post foi ter percebido que muitas pessoas se interessam em saber como nós, veganos, nos tornamos herbívoros. Como gostaria de usar esse espaço pra compartilhar histórias, experiências e inspirar quem passa por aqui, decidi juntar uma coisa com a outra e pedir a alguns dos meus amigos pra contar aqui no blog como o veganismo entrou na vida deles.

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Evento em Recife

Pra quem perdeu o anúncio que deixei na página Facebook do Papacapim, vou repetir por aqui. Nessa sexta, dia 5 de julho, eu vou animar a nona edição do Cultura Veg, organizado pelo grupo Recife da Sociedade Vegetariana Brasileira. O tema, fiel ao estilo do blog, será ‘Desmistificando a culinária vegetal’ e eu compartilharei minha experiência com o veganismo e darei dicas de como ser um herbívoro feliz. Mais informações sobre o evento aqui.

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Transforme o seu café da manhã

Razões pra incluir o café da manhã na sua rotina não faltam. Quando você começa o dia de barriga vazia o seu corpo recebe a seguinte mensagem: “Está faltando comida por aqui e é melhor economizar as reservas”. Resultado: com o tempo o seu metabolismo fica mais lento e será mais difícil manter um peso saudável (ou perder peso, se esse é o seu objetivo). Outro problema é que você vai ficar faminto dali a algumas horas e fará escolhas alimentares mais pobres durante o resto do dia. E se você saiu de casa de estômago vazio, o nível de glicose no seu sangue estará baixo (lembre que você passou muitas horas em jejum enquanto dormia) e você ficará mais irritado, cansado e será mais difícil se concentrar e tomar decisões. Ou seja, o seu rendimento no trabalho/estudo diminuirá.

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